Ao sabor dos resultados
Enquanto não houver no Benfica quem perceba que o verdadeiro marketing desportivo é a conquista de títulos, poderemos apresentar continuamente resultados financeiros bons que, à míngua de vitórias, as bases sólidas para um futuro risonho estarão à mercê de um novo Vale e Azevedo.
O Domingos Amaral, director da GQ, escreveu num bom artigo de opinião no Diário Digital que "um clube não visa o lucro, mas sim a vitória. Antes vencer com algum prejuízo, do que ser humilhado com pequenos lucros." Na sua crónica, desenvolve uma teoria dedicada ao "mito do clube-empresa", a qual, em grande parte, a subscrevo.
De facto, começa a tornar-se comum ouvir-se a expressão clientes ao invés de associados quando nos referimos a nós, sócios do Benfica, pois é este o sentimento generalizado nos cento e setenta e tal mil clientes, perdoem-me, sócios do Sport Lisboa e Benfica.
As razões evocadas são muitas mas, em minha opinião, reflecte levanta apenas uma questão: Estarão os sócios do Benfica disponíveis para continuar a pagar sem que haja resultados desportivos? A resposta a esta pergunta parece-me óbvia: Grande parte, não! Claro que existem sempre os duros, como eu e muitos outros, que não lhes passa pela cabeça deixar de pagar quotas ou de ir aos jogos apenas porque o Benfica tem dado uma imagem de si próprio digna de clubes menores como o do outro lado da 2ª circular mas a onda de neo-benfiquismo exacerbado, tão bem trabalhada mas ainda mais rapidamente quase destruída, rapidamente se esfumará por muitas e boas que sejam as acções de marketing.
Enquanto não houver no Benfica quem perceba que o verdadeiro marketing desportivo é a conquista de títulos, poderemos apresentar continuamente resultados financeiros bons que, à míngua de vitórias, as bases sólidas para um futuro risonho estarão à mercê de um novo Vale e Azevedo.
É esta a realidade. Contrariamente ao que o Roquette pensava, o futebol vive mesmo da bola que entra e não está imune às bolas que vão à trave. Veja-se o caso, por exemplo, da votação no "Benfiquistas desde pequeninos" sobre se deveria ou não ser dada uma oportunidade ao Chalana como treinador principal na próxima época.
Até ao jogo com a Académica a votação estava equilibrada devido ao efeito da boa exibição no Bessa. Após o jogo com a Académica, 90% dos votantes, optaram pelo não.
O que é que mudou? O Chalana continuou a ser o mesmo: Antiga glória e péssimo orador. Muitas pessoas até disseram bem da exibição no intervalo do jogo mesmo a perder por 2. O que mudou, e isso é o mais importante no futebol, foi a ilusão de que, com ele, a equipa poderia ganhar alguma coisa. Tão simples e tão básico quanto isto! Será assim tão difícil de perceber?



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