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Os Benfiquistas devem ser doidos

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O problema é que o Benfica, por vezes, descarrila e, consequentemente, descarrilam também as emoções. Tomemos, como exemplo, o jogo de ontem ante o Nuremberga. Não vou discuti-lo. Não vou, sequer, resumi-lo. Limitar-me-ei a dizer que qualquer encontro com um jogador benfiquista, depois do jogo de ontem, faria de mim um verdadeiro “Dexter”. Sem os aborrecidos complexos morais.

Quando me foi sugerido que escrevesse para este fórum, pediram-me que não falasse sobre os jogos. Os jogos, todos víamos. E o que verdadeiramente interessava – e interessa – são os bastidores. As movimentações. O que acontece behind the scenes. O problema é que o meu benfiquismo não me permite ficar totalmente alheio aos jogos. O resultado destes costuma até condicionar o meu estado de espírito nos dias seguintes. Se for mau, fico com “os azeites”. Se for bom, a semana também o será. Estou certo que alguns cientistas poderiam providenciar uma explicação plausível para este fenómeno. Os vários químicos cerebrais com os quais somos confrontados em “House MD” poderiam explicar muita coisa. Mas as reacções passionais e violentas de “CSI” tambem estão muitas vezes presentes. É por isso que lhe chamam benfiquismo. Até na própria definição da patologia está presente um aplaudível ecletismo.

O problema é que o Benfica, por vezes, descarrila e, consequentemente, descarrilam também as emoções. Tomemos, como exemplo, o jogo de ontem ante o Nuremberga. Não vou discuti-lo. Não vou, sequer, resumi-lo. Limitar-me-ei a dizer que qualquer encontro com um jogador benfiquista, depois do jogo de ontem, faria de mim um verdadeiro “Dexter”. Sem os aborrecidos complexos morais.

Não vou, no entanto, descarregar em Camacho. Ou em Vieira. Ou, até, nos jogadores. Quem estiver interessado em tal exercício, só tem de passar pela Ilíada. Prefiro, por isso, fazer uma auto-crítica. A moi même. Pelo tempo que passo a ver o Benfica, a sofrer com o Benfica, a viver o Benfica. Tempo em que não estou a cultivar-me, a desenvolver-me, a crescer. O problema com este Benfica é exactamente esse: quando joga como jogou, não vale um nanosegundo do tempo que quem quer que seja possa gastar com ele. E, no entanto, lá estamos nós: agarrados ao televisor até ao fim. Até ao último segundo. Até ao golo do Cardozo. E do Di Maria. Até aos absurdos do Camacho. Desenganem-se: há muito que isto deixou de ser uma paixão. Faz parte de nós, enraizou-se, infiltrou-se, entranhou-se. Ninguém estranhou. Claro que não. É o Benfica. E continuamos assim, sem nunca nos apercebermos que, por vezes, o Benfica é o maior inimigo de si mesmo. E, já agora, de nós todos.

Os benfiquistas devem ser doidos.

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