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O meu último artigo não fez furor entre os leitores. Eu percebo: sabonete e pêlos púbicos dificilmente se tornam num agradável tema de conversa. Ou de escrita. Felizmente para todos aqueles que, como eu, já vomitavam os directos da Selecção, os treinos da Selecção, os banhos (com sabonete líquido) da selecção, a tortura terminou. É, portanto, altura de retornarmos ao grande Sport Lisboa e Benfica, o Glorioso.
É época de defeso e, até ver, o adjectivo utilizado para caracterizar as contratações do Benfica, até ao momento, é o mesmo de há muitas épocas a esta parte: inquietante. Com um pequeno detalhe complicado: tal como no ano passado, à inquietação juntamos a fortuna, não no sentido de sorte, mas no de "quantidades absurdas de dinheiro", gastas em jogadores que, francamente, ninguém sabe bem o que valem. E já incluo neste pacote o DJ Martinz, vulgarmente conhecido no mundo do futebol como Carlos Martins. Eu também não ouvi falar muito dele, mas parece que é cabeça-de-cartaz nas melhores discotecas nacionais. Dar-lhe-ei o benefício da dúvida apenas e só por causa de Rui Costa. Se o Rui vê alguma coisa nele, significa que alguma coisa ele deve ter. A não ser que o Rui não tenha realmente visto algo, mas que lhe tenha sido comunicado que ali há algo para ser visto. É críptico, eu sei, mas não pretendo ser injusto para com Rui Costa.
Sobre Pongole não tenho nada a dizer. Sempre quis ter, no Benfica, um avançado rápido, tanto na velocidade como na execução. Bitaite do costume: já está habituado ao futebol europeu, o que não é nada mau. Resta saber se terá estofo para o futebol português, sub-tipo do futebol europeu, no qual imperam, entre outras, algumas leis de "Vale Tudo". De qualquer modo, um jogador rápido poderá sempre ser uma boa opção para uma dupla com Cardozo.
Além de tudo isto, pouco mais há que mereça ser escrito. O tempo tem estado bom, apesar de ainda não ter tido tempo para ir à praia molhar os chispes; a equipa de futsal está na final do campeonato nacional (demasiadas palavras terminadas em -al); a UEFA decidiu que o FC Porto vai à Champions; a Selecção foi com os Schweinen, o que é muito mau para nós, já que voltaremos, após o período de nojo, a pagar os subsídios de férias dos jornalistas pertencentes aos quadros dos três jornais desportivos com as quinze mil contratações que o Benfica haverá de fazer, neste século ou no próximo.
Resta-nos esperar, sobretudo, que o Benfica saiba contratar com "pés e cabeça" e que não comece, como costuma dizer um dos outros Ilíados, a construir a casa pelo telhado. Pode ser que, na semana que vem, o destino pareça mais auspicioso.



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